5 de janeiro de 2013

De idade nova




O grande dia chegou, parecia até que eu ia debutar e fico me perguntando: onde foram parar todos esses anos? Ainda me sinto aquela menina assustada pedalando contra o vento em direção à escola enfrentando colegas da pesada mas colegas solidários que me ajudavam na subida da ladeira...ainda tenho muito daquela menininha que estudou com Dona Elisa Correia no EDUCANDÁRIO SANTA INÊS ... ainda sou aquela professorinha ingênua enfrentando sua primeira turma. Ainda sou aquela irmã aflita que viu seus irmãos 
saírem para estudar fora e eu sabendo que não teria a menor condição de sair de perto de meus pais. 

Passei batido pela tal crise dos 30, pois estava ocupada demais lutando pela sobrevivência. Os 40 eu alimentei o sonho da famosa viagem à França. Os 50 me encontraram já cuidando da minha irmã com Alzheimer. Fiquei tão absorvida diante de tanta responsabilidade que nem notei a passagem da menopausa nem criei expectativa em relação à aposentadoria
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Agora aos 59 anos, me pergunto onde está a coroa que eu esperava ser nessa idade e onde se escondeu aquela jovem sonhadora que me olhava do espelho todas as manhãs.
Enfrentei algumas reformas ortográficas...não me interessava pela informática até quando fui fazer um curso de verão na França e precisei dos recursos da internet. Foi um grande sacrifício na época pois eu não era muito chegada.

Não me sinto diferente do que era há alguns anos, continuo tendo sonhos, projetos, faço minhas caminhadas matinais com minha irmã Zezê, me alimento moderadamente e durmo bem, gosto de música, leio muito e faço viagens para lugares que um dia sonhei conhecer.Desde que me aposentei como professora de francês, faço tradução quando me é conveniente e o assunto me interessar.
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Cuido de mim, da minha aparência, deixei de usar óculos(13 e 15 graus) graças à famosa redução de miopia. Há marcas do tempo, e não somente rugas e os quilos a mais, mas também cicatrizes na perna esquerda vitimada da poliomielite.

Meus 58 anos?

Mais um saldo positivo, com algumas dúvidas e apenas uma certeza: tenho mais passado que futuro procuro viver o presente intensamente, de nova idade e já me sentindo com 60 anos.

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