31 de julho de 2011

A vida é um jardim....

"A vida é um jardim e você é o único jardineiro responsável. Regue suas flores e afaste as ervas daninhas."
Paulo Viana

30 de julho de 2011

Morrer é preciso - Fernando Pessoa

 
Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte.  E precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação.
Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo
e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio a morte nada mais é que o ponto de partida para o início de algo novo, a fronteira entre o passado e o futuro.
Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas. Quer ter um bom relacionamento? Então mate dentro de você o jovem inseguro, ciumento, crítico, exigente, imaturo, egoísta ou o solteiro solto que pensa que pode fazer planos sozinho, sem ter que dividir espaços, projeto e tempo com mais ninguém . Quer ter boas amizades? Então mate dentro de si a pessoa insatisfeita e descompromissada, que só pensa em si mesmo. Mate a vontade de tentar manipular as pessoas de acordo com a sua conveniência. Respeite seus amigos, colegas de trabalho e vizinhos, enfim todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior.
E qual o risco de não agirmos assim?O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo essa produtividade, e, por fim prejudicando nosso sucesso. Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam.
Acabam se transformando em projetos acabados, híbridos, adultos infantilizados. Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não mantemos as virtudes de criança, que também são necessários anos, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade, tolerância, etc.
Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar atitudes infantis, para passarmos a agir como adultos.
Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e evoluído? Então, o que você precisa matar em si, ainda hoje, é o "egoísmo" é o "egocentrismo", para que nasça o ser que você tanto deseja ser. Pense nisso e morra. Mas, não esqueça de nascer melhor ainda. O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem, por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
(Pensa numa tremenda lição de vida!)

Bitu 62 - por Vernon Bitu

Bitu 62 
As minhas asas já cresceram
Eu já posso ver o mundo
Mas à casa da infância
Já não vou em um segundo
Não enxergo em minha vida
Nem bombons nem pirulitos
Mas no fim da minha rua
Tem uns pés de eucaliptos
Que eu curto de tardinha
Mas meu pai não vai comigo 
Ele vai brincar com vigas
E com as lajes de onde vivo
Faz projeto hoje com nuvens
E eu já sei qual o motivo
Vem com suas integrais
Limites de nossas vidas
Derivando disso tudo
Sou poesias atrevidas
Que toda tarde ele faz
Mas não estou com meu pai 
Mas sempre o sinto comigo
Se vendo ou não se vendo
Cantando ou mesmo mudo
Vivendo ou se morrendo
Abraça-me logo e me beija
Sem entretanto nem pois
Pois onde quer que agora esteja
Hoje faz sessenta e dois.  .
vernon bitu.

A Saudade Fala Português

A Saudade Fala Português
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida .
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram
e de quem não me despedi direito;
daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse,
decerto gostaria de experimentar;
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de fazer,
dos livros que li e que me fizeram viajar,
dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que,
não sei aonde,
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é
e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês,
mas que minha saudade,
por eu ter nascido brasileira,
só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar sentimentos fortes,
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you",
ou seja lá como possamos traduzir saudade
em outra língua, nunca terá a mesma força
e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, corretamente,
a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar
todas as vezes em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor do que um sinal vital
quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
Sentir saudade, é sinal de que se está vivo!
(Recebido por e-mail)

29 de julho de 2011

Priez pour nous ou Rogai por nós

Despedida de Iguatu para Fortaleza

È chegado o grande dia
Voltado p’ra Deus me valho
Pedindo força e energia
Sua benção, seu agasalho,
Vou partir para outras plagas
Deixando lembranças vagas
Aos amigos de trabalho

               II
Levarei muitas saudades
De todos meus companheiros
Aqui fiz eu amizades
Camaradas verdadeiros
Mas se com alguém fui injusto
Eu rogo que a qualquer custo
Perdoem meus entreveros
              
III
Adeus Rômulo e Junior, amigos,
Assessores da pesada
Conservem sempre consigo
A minha estima elevada.
Mas deixem a mania feia
De falar da vida alheia
Quando estão sem fazer nada!
                    
 IV
Sentirei de todos a ausência
Não tem último nem primeiro
De Iradenes a decência
De Íris o olhar matreiro
E quero aqui pedir vênia
Para  deixar  á  Valdênia
Um forte abraço e um cheiro!
                  
 V
De nada mais sirvo aqui
De posse que estou do ato
Só me resta então partir
De acordo com o ultimato
Nos termos nele constantes.
Adeus, adeus vigilantes,
Juca, Antonio e Mulato.
                    
               VI
Adeus Márcia e Luciana
Parceiras do dia a dia
Vocês são muito bacanas
Moças de muita valia
Pelas ajudas prestadas
Bem merecem ser citadas
Em prosa e poesias!
            
VII
Quero saudar Lucivanda
Mirian , Bené ,  Mirella
Quando eu partir destas bandas
Relevem quaisquer seqüelas
Que sem querer lhes causei
Errar bem sei que  errei
Mas nem sequer dei por elas
                              
 VIII
Adeus  douta   Lucivanda
Chefe da Administração
Que habilmente comanda
Transporte e comunicação
 Com ajuda das morenas
Fica só de quarentena
Ao leme da embarcação
                      
  IX
A Mirian como fumante
Quero que não me repare
Mas eu peço suplicante
Que do fumo se separe.
Bené – deusa de sua Igreja –
Que Deus do céu lhe proteja
E a nós outros  não desampare!
                     
X
Nesta minha despedida
Deste para outro universo
Não vou deixar esquecida
Mirela, muito ao inverso,
Seria até um vexame!...
Mas que ela jamais reclame
De que nunca lhe ter feito  um verso!
                          
XI
Iradenes sempre calada
Colega nobre e astuta
De papagaio não tem nada
Mas tal coruja ela escuta.
Íris que aos cantos soluça
Já vai servir lá em Russas
Que seja feliz na permuta
                     
XII
Lembrarei sempre do Wagner
Motorista que não oscila
Um excelente caráter
Que nem um pouco vacila
Não é chofer de araque
Mui cotado na DITRAC
Menina dos olhos de AURILA!
            
 XIII
Em suma parto saudoso
Afastando-me de meus pares
Muito triste e até choroso
Para errar em outros lugares
Muito grato e reconhecido
A este homem bendito  
JOSÉ LOURENÇO COLARES!

              
JOAO Alves BITU
IGUATU, Julho 1992

28 de julho de 2011

Caçador de Passarinhos - João Bitu


CAÇADOR DE  PASSARINHOS


Oh que infância adorável 
Experimentei no sertão
Não sabia que estava então
Num paraíso inefável.....
Era uma vida mui saudável
 Existência tão desprendida
Que o tempo logo passava
E eu não cuidava que estava
Gozando o melhor da vida.
              
Despertava ao amanhecer
Com o canto dos passarinhos
Ao levantar de seus ninhos
Buscando o sobreviver
Como parte de meu lazer
Tinha futebol nos terreiros
Era sempre um dos primeiros
Um craque dos de mão cheia
Dominava a bola de meia
Com  lances belos,  matreiros.
              
Amava  caçar sempre só
Com baladeira e bodoque
Pescar de  landuá e choque
Daquele feito em cipó.
Balear o triste socó
Sempre sozinho e infeliz
Assim meio lelé da cuca!...
E pegar de arapuca
 Jurití  e a codorniz.

Portava sob a axila
Que sob o pescoço  amarro
Contendo balas de barro
Do tamanho duma bila...
Era  uma caçada tranqüila!
Usava blusão de crepe
Na cabeça um negro quepe
Feito de meia de linho
E para fugir dos espinhos
Alpercatas de currulepe

A adolescência é a fase
Mais doce de nossa vida
Se com saúde vivida
Ela é de tudo a base.
Não existem coisas más!
Onde há saúde e paz
Muita fé e muito amor.
-Tudo se torna um primor
 Do resto se corre atrás

Aquela época previa
Um porvir cheio de glória
Configurava uma estória
 Cuja se não conhecia
Uma autêntica profecia
Deste HOJE benfazejo!
Quando tudo quanto almejo
Desde aquela fase querida
Tenho alcançado na vida
Tudo, tudo,  como  desejo!!!


                                                                          JOÃO Alves BITU
                                                              Fortaleza, 25 de julho de 2011

27 de julho de 2011

BOA NOITE!

 O BOM VIVER

    Todo ser humano alimenta o desejo de viver bem.
E, para que o objetivo se concretize, se faz neces-
sário, saúde, paz e harmonia, não esquecendo O AMOR!
    A vida é uma dádiva de Deus. Não podemos deixar
que escape de nossas mãos a GRAÇA concedida por Deus.
    Concordo Fafá, com tudo que escreveste. E deixo
registrado nesta página minha mensagem, através das
seguintes frases:
    @ "Sorria para o Céu e o Sol".
    @ "Ame o mundo e ele se tornará o paraíso para você!"
    
      Com carinho às minhas  estimadas amigas:
           Fátima E Zezê Bitu.

Para meu primo Renato Bitu

 
Hoje eu estava navegando no Orkut e tive a grata satisfação de ver umas fotos que me surpreenderam muito. O tempo passa e a gente nem percebe..pois era o aniversário do meu querido primo e mui amigo RENATO BITU. Fiz uma breve volta ao passado quando morávamos em Jacarecanga, Fortaleza. Senti saudade da nossa turminha: meus irmãos Cláudio e Luiz ( in memorian), João, Cícero e eu. Foi um tempo bom. Éramos felizes e não sabíamos. Pois é, Renato, seu aniversário me inspirou a postar sobre meus amigos 60(daqui a 3 anos estarei na lista) e não são poucos. Sei que estou atrasada pela falta de comunicação mas envio daqui o meu abraço de prima e amiga especial. Você é aquele tipo de pessoa que todo mundo quer bem. Por isso, o meu abraço é especial e extensivo à Cícera, sua esposa, seus irmãos,seus filhos, netos, a primarada em geral e porque não dizer a comunidade varzealegrense.Um abraço do tamanho do seu coração,
Fafá Bitu  

Uma vida tranquila


A vida é realmente  um dom de Deus. Eu diria que viver  bem é  uma necessidade mas também um desafio. É importante cuidar do corpo, da saúde, ir ao médico regularmente, ao dentista mas o mais importante é eliminar aquilo que nos faz mal: "as toxinas" e as "gorduras" da alma. Essas adoecem as emoções, deformando a aparência de nosso interior e produzindo males ao longo da vida. O mais importante que acho é manter  "a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo." Eu me sinto mais ou menos assim com minha irmã Zezê. Temos uma vida simples, sem grandes luxos. Fazemos o que está ao nosso alcance e somos felizes. As pessoas não querem entender isso..nos acostumamos assim e é assim que será. Temos cuidado com nossa alimentação, dormimos bem, saímos quando o passeio nos agrada e procuramos sobretudo não interferir na vida dos outros, assim como queremos ser respeitadas no nosso mundo considerado de vez em quando sem vida. Depende do que cada pessoa pensa ou julga. Acho que já vencemos muitos obstáculos, já passamos por duras provas e hoje queremos curtir nossa casa, nosso mundo, nossos amigos que nos respeitam como tal. " Felicidade não existe..há momentos felizes". Há muita boa vontade das pessoas em dar opinião sobre o que devemos ou não fazer. A decisão final é de apenas duas pessoas: Fafá e Zezê

26 de julho de 2011

Uma simples homenagem às avós

Comemora-se o Dia da Vovó em 26 de julho porque esse é o dia de Santa Ana, mãe de Maria e avó de Jesus Cristo. Conta a história que Ana e o marido, Joaquim, não tinham filhos, mas sempre rezavam pedindo que o Senhor lhes enviasse uma criança. Ela teve uma menina quando já tinha idade avançada e a batizou de Maria.

Santa Ana morreu quando a menina tinha apenas três anos. Ela é a padroeira das mulheres grávidas e dizem que concede gravidez às mulheres estéreis.

(Fonte: Portal São Francisco)
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A arte de ser avó

"Tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...
No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.
Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!
Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...
Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.
E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.
Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague."
Rachel de Queiroz
(Dedico esse maravilhoso texto as minhas irmãs e amigas avós, com carinho)
Fafá Bitu

25 de julho de 2011

Vitoriosa - Ivan Lins

Vitoriosa
Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa...
Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza...
Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além, e ir além...
Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Que a vida pode ser maravilhosa...
Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além, e ir além...
Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Que a vida pode ser maravilhosa...
Ivan Lins / Vitor Martins

10 Mandamentos da Terceira Idade


1º- Não se aposente da vida pra se tornar a praga da família. A vida é atividade, e o verdadeiro elixir da eterna juventude é o dinamismo.  Não despreze as ocupações enquanto tiver energia para as lutas cotidianas. Se não tiver nada pra fazer vá caminhar, passear no shopping, jogar baralho na praça, qualquer coisa, menos aporrinhar os outros!
2º- Seja independente e preserve a sua liberdade, mesmo que seja dentro de um quartinho. Quem renuncia ao próprio lar, obriga-se a andar na ponta dos pés, pra evitar atritos com noras, genros, netos e outros parentes. Se possível more num flat, já vi o preço: em São Paulo, fica cerca de 2 mil  e 500 reais por mês (o casal) - viúvo é mais barato - no bairro dos jardins: tem tv a cabo, internet, piscina, sauna, lavanderia, café da manhã servido na mesa, salão de jogos, sala pra ver tv com outros moradores - tudo incluído no preço... você não paga água, luz, internet... e tem bastante gente pra conversar, fazer novas amizades... MELHOR USAR SUAS ECONOMIAS PARA TER UM RESTO DE VIDA FELIZ! NÃO ECONOMIZE NO ITEM "MORADIA"... a próxima vai ser a última E DEFINITIVA! Aproveite a penúltima com tudo a que TEM DIREITO!
3º - Mantenha o governo da sua própria bolsa. Ajude os seus filhos financeiramente, na medida das suas posses;  reserve uma parte para emergências. Tenha o melhor plano de saúde que puder pagar. Se você depender do governo, TÁ NO SAL!
4º- Cultive a arte da amizade como se fosse uma planta rara, cercando os familiares e AMIGOS de cuidados, como se fossem flores. Se a sua memória estiver falhando, anote numa agenda sentimental as datas mais importantes das suas vidas, e compartilhe com eles a alegria de estar presente. Como você é um velho do século XXI, aprenda a mexer com a Internet: programe todos os aniversários em seu email... ele informará  você com antecedência.... você nunca esquecerá nada!
5º- Cuide da sua aparência e seja o mais atraente possível.  Não seja um daqueles velhos relaxados, que exibem caspa na gola do paletó e manchas de gordura na roupa, que revelam o cardápio da semana. Nunca despreze o uso de água e sabão. Vá ao salão de beleza uma vez por mês, pelo menos: a moça vai fazer sua unha, seu pé, cabelo e barba...não tem preço ficar com ela te agradando por uma gorjeta! VISTA-SE COMO UM LORD! NADA DAQUELA BERMUDAS XEXELENTAS, MOLETONS ROSAS E SAPATINHOS DE VELHO...
6º- Seja cordial com os seus vizinhos. Evite implicar-se com o latido do cachorro, o miado do gato, o lixo fedorento na calçada ou o volume do rádio. Um bom vizinho é sempre um tesouro, especialmente se os parentes morarem distantes. SEJA ESPERTO: USE UM MP3 E OUÇA MÚSICA COM FONES DE OUVIDO PARA SE LIVRAR DOS BARULHOS QUE TE CHATEIAM... UM FRANK SINATRA, JOBIM, CHARLIE PARKER, NAT KING COLE... ACALMARÃO VOCÊ E O FARÃO LEMBRAR DOS BONS TEMPOS...SEM SAUDOSISMO...SE ESTIVER DEPRESSIVO ATAQUE DE ELVIS, BEATLES, CREEDENCE, ROLING STONES..TUDO DO NOSSO TEMPO!
7º- Cuidado com o nariz, e não se intrometa na vida dos filhos adultos. Eles são seres com cérebro, coração, vontade, e contam com muitos anos para cometerem os seus próprios erros. FECHE A MATRACA!

8º- Fuja do vício mais comum da velhice, que é a "presunção". A longa vida pode não lhe ter trazido sabedoria. Há muitos que chegam ao fim da jornada, tão ignorantes como no início dela. FAÇA DE CONTA QUE VOCÊ NUNCA VIVEU NADA! EXPERIÊNCIA NÃO SE PASSA! FIQUE SÓ OBSERVANDO OS ERROS E NÃO SE META, A MENOS QUE ALGUÉM PEÇA A SUA OPINIÃO, RESISTA À VONTADE DE DA-LA...TUDO O QUE É DE GRAÇA, NÃO TEM VALOR! Deixe que a "humildade" seja a sua marca mais forte.

9º- Os cabelos brancos não lhe dão o privilégio de ser ranzinza e inconveniente. Lembre-se de que toda paciência tem limite, e que não há nada mais desagradável do que alguém desejar a sua morte. Aprenda jogar xadrez,  usar o MSN, ORKUT... OCUPE SUA MENTE COM OUTRA COISAS! NÃO ENCHA O SACO DOS OUTROS!

10º- Não seja repetitivo, contando a mesma história três, quatro, cinco vezes. Quem olha só para o passado, tropeça no presente e não vê a passagem para o futuro. FIQUE DE BOCA FECHADA E SERÁS UM SÁBIO! LEMBRE-SE QUE VOCÊ TEM DOIS OUVIDOS E UMA BOCA SÓ: ISSO NÃO É POR ACASO!

"Não se aposente da vida para se tornar a praga da família"...esta é pra se lascar mesmo, o pior é que isto acontece muitas da vezes ...leiam toda a matéria do anexo bem devagar e bem concentrados, é um poço de sabedoria...
(Recebido por e-mail)

24 de julho de 2011

A arte de ser avó - Rachel de Queiroz

 
A arte de ser avó
"Tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...
No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.
Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!
Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...
Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.
E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.
Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague."
Rachel de Queiroz
(Dedico esse maravilhoso texto as minhas irmãs e amigas avós, com carinho)
Fafá Bitu

23 de julho de 2011

O AUTO-RETRATO - Mário Quintana

No retrato que me faço
_traço a traço_
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore... às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança ...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...
e,desta lida,em que busco
_pouco a pouco_
minha eterna esperança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!
O auto-retrato -
Mário Quintana

Agradecimentos

Bom dia FAFA
Agradeço minha melhora e cura, a minha Mãe e Rainha de Todos 
Abração e um Ótimo Final de SEMANA !




  

22 de julho de 2011

A BITUZADA e seus enigmas - Fideralina


João, escreve pelos seis.
Generoso por aqui é Denizard
Invadindo a mente dos seis,
Que obtêm de Isabel o "conciliar"
E o charme de Cleide pelas três.
Torcendo Cícero pelo "CEARÁ",
Reúne portanto os três.
E com orgulho está  FafáMorando com Zezê, irmã caçula
Que de todos absorve o verbo AMAR!
Amada por todos os seis irmãos Bitu!
Fideralina

Jardineiro e Vento

Não sou poeta

Sou jardineiro das letras

Por transpirar em sonhos

Cultuando flores distantes

Em jardins improváveis

Não sou poeta

Faço versos em suaves ventos

Por erguer borboletas

Dançarinas noturnas

Em fronteiras alheias

Não sou poeta

Sou jardineiro e vento

Para as flores e as borboletas

Cada uma no seu momento

Paulo Viana

Voltei - Por Claude Bloc

Eis o motivo do meu silêncio de tantos dias. Casa amarela lotada. ExpoCrato. Passeios numa semana de recesso. 

Meu cantinho geralmente mergulhado no silêncio acabou por se encher de sons de risadas, gente por todo os lados, lotando quartos, banheiros e mesa. Dias de trocas de afeto e gentilezas fazendo desses dias a maravilha e a bênção de um convívio fraterno. 

Que coisa boa e gratificante. Lua lá em cima à noite fazendo da praça dos poetas no meu quintal um verdadeiro reduto da alegria mais sincera.

Em pé: Iza, Pablito e Lorena / Sentados: Claude, Yasmin, Alessandra e Paulinho.
Subimos ao Pontal de Santana. Não tem como não se emocionar. Há momentos em que, sem percebermos,   entramos num momento íntimo de oração: uma conversa direta com Deus e com nossas emoções. 
O coração tenta se aprumar, mas o mundo visto dali é lindo demais e a gente, um grãozinho de emoção em meio àquela grandeza.
Claude e Bertrand
Depois, a reflexão sobre a vida. "Somos tão jovens!" fala nossa alma e diz da mesma forma o nosso coração batendo no peito "vivinho da silva". Ainda estamos por aqui e estamos juntos desfrutando desse encontro... Ainda não somos totalmente dinossauros (risos).
Iza e Claude - Museu de Santana do Cariri
Tanta coisa já aconteceu no mundo. Tanto tempo já passou antes de chegarmos a esta terra abençoada que hoje podemos agradecer por podermos ser testemunhas de tantos prodígios.
Bertrand e Paulinho
É isso! Essa alegria infinita. Essa Paz que trazemos de volta pra casa. Esse encontro amplo, irrestrito com esse nosso mundo.

Voltei!

Claude Bloc

20 de julho de 2011

Feliz Dia dos Amigos!

FELIZ DIA DOS AMIGOS!!!!!!!!!

"A amizade torna os fardos mais leves, porque os divide pelo meio.
A amizade intensifica as alegrias,elevando-as ao quadrado na matemática do coração.
A amizade esvazia o sofrimento, porque a simples lembrança do amigo é alívio.
A amizade ameniza as tarefas difíceis, porque a nós não as realizamos sozinho.
São dois cérebros e quatro braços a agir.
A amizade diminui a distância. embora longe, o amigo é alguém perto de nós.
A amizade enseja confidências redentoras: problema partilhando, percalço amaciado;
felicidade repartida, ventura acrescida.
A amizade coloca música e poesia na banalidade do quotidiano.
A amizade é a doce canção da vida e a poesia da eternidade.
O amigo é a outra metade de nós. O lado claro e melhor.
Sempre que encontramos um amigo, encontramos um pouco mais de nós mesmos.
O amigo revela, desvenda, conforta.
É uma porta sempre aberta, em qualquer situação.
O amigo na hora certa é o sol ao meio dia, estrela na escuridão.
O amigo é a bússola e rota no oceano, porto seguro da tripulação.
O amigo é o milagre do calor humano que se opera num coração."

NESTE DIA E SEMPRE.

Que nossa amizade nunca se separe porque é direta do coração

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia?  Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 &70, e se eu, ao mesmo tempo,  desejo  chorar por um amor perdido ...  Eu vou.
Vou andar na praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.
Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes esquecida.  Mas há mais, alguns coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado.  Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro?  Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão.  Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoada por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude  gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo.  Você se preocupa menos com o que os outros pensam.  Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errada.
Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velha.  Ela me libertou.  Eu gosto da pessoa que me tornei.  Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será.  E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).

Que nossa amizade nunca se separe porque é direta do coração!
(Recebido por e-mail)

Aos meus amigos de fé - Fátima Bitu

Canção Da América
Milton Nascimento
Composição: Fernando Brant e Milton Nascimento

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.

18 de julho de 2011

Várzea Alegre congelada - por Raimundinho Piau

VÁRZEA ALEGRE CONGELADA

Se eu tivesse congelado
Várzea Alegre antigamente,
Eu voltava no passado
Com a minha boa gente.
Juntava a rapaziada,
Cada um com a namorada
Na rua do Juazeiro.
Afinava um violão,
Cantava a melhor canção
De um poeta violeiro.

Comia um bolo ligado
No café de João maduro,
Que não vendia fiado
Porque não tinha futuro.
Depois eu ia na praça,
Só para flertar com Graça.
Que nunca me deixou quieto.
Comprava lá na esquina,
Dois mil réis de brilhantina
A José Felipe Neto.

Se eu ficasse apertado
Não fazia nem lundu,
Corria muito apressado
Pro beco de Zé Ginu.
Lá do beco a gente ouvia,
Quando o locutor dizia
A mensagem de rotina:
- Com carinho a letra G,
Oferece para a B
O xote Cintura Fina.

Ia lá pra Zé Bitu
Com Dedé e Nicolau,
Para pegar um bigu
No misto de Lourival.
Varria o Cine Odeon,
Depois vendia bombom
Ganhando uma comissão,
Vigiado por Tonheiro,
Porque, dinheiro é dinheiro
Desdobra qualquer cristão.

Comprava o milho cozido
Que Chico Nenem vendia
E o sabugo roído
Rebolava na bacia.
Rezava pra Deus do céu,
Acreditava em Noel
E desprezava o racismo.
Vivia com aquela gente,
Como criança inocente
Sem conhecer o machismo.

Fazia uma serenata
Com Nilton, Caubí e Tércio,
Caçava nambu na mata
Com Manoel de Natércio.
Comia mel com farinha,
Dizia: - Oba Costinha!
E o maluco respondia.
Juntava a turma legal,
Domingo de carnaval
E caía na folia.

Contava com a ajuda
De Cicim de Zé Bile,
Só para roubar o Juda
De Carlito Cassundé.
Eu comprava a Valdelíz,
As flores pra Diassís
Sem ter no bolso um vintém.
Também via no bilhar,
Luís Inácio jogar
Sem perder para ninguém.

Mas tudo foi só saudade
Não deu para congelar,
Porém a minha vontade
Era do tempo voltar.
Mesmo sem congelamento,
Vou guardar no pensamento
Até o final da vida.
É como viver de novo,
Junto com aquele povo
Na minha terra querida.

(Raimundim Piau me enviou por e-mail)

Detalhes de uma vida

 Nessas 2 montagens estão reunidos alguns  detalhes  da minha vida..pessoas que ajudaram a compor a minha trajetória. Meu carinho especial a todas elas,
Fátima Bitu

Gotas de Óleo

Medalha Milagrosa


Foi nesta capela que em 1830 a Virgem Imaculada Mãe de Deus  se manifestou à  irmã CATHERINE LABOURÉ e deu  ao mundo o nome da MEDALHA MILAGROSA.
Dedico essa postagem ao casal amigo Vicente Almeida e Valdênia, agradecendo a força que me passam nos momentos de dificuldade.
Fátima Bitu

17 de julho de 2011

Adieu, Trema!

Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüenta anos.
Mas, os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!...
O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio...
A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela.
O dois pontos disse que sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé.
Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra.
E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I.
Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões.
Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?...
A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, "Kkk" pra cá, "www" pra lá.
Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER.
Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências!
Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo de medo".
Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!...
Nós nos veremos nos livros antigos.
Saio da língua para entrar na história.

Adeus,
Trema.
(Vi no blog da amiga Fridda e estou solidária com a partida do trema)

A folha

A Folha - Carlos Drummond de Andrade
A natureza são duas.
Uma, tal qual se sabe a si mesma.
Outra, a que vemos. Mas vemos?
Ou é a ilusão das coisas?
Quem sou eu para sentir
o leque de uma palmeira?
Quem sou, para ser senhor
de uma fechada, sagrada
arca de vidas autônomas?
A pretensão de ser homem
e não coisa ou caracol
esfacela-me em frente à folha
que cai, depois de viver
intensa, caladamente,
e por ordem do Prefeito
vai sumir na varredura
mas continua em outra folha
alheia a meu privilégio
de ser mais forte que as folhas.

16 de julho de 2011

Mon nom est bonheur (adaptation)

 Salut!  Mon nom est  LE BONHEUR. Je fais partie de la vie de ceux qui ont des amis parce que avoir des amis est déjà être heureuse. Je fais partie de ceux qui croient au passé, au demain et l´avenir. Je fais partie de ceux qui croient sur la force de l´amour...qui croeint que pour une une belle histoire il n´y a pas de fin. Moi, je suis mariée avec le TEMPS. Ah! Mon ami est trés beau! Il reconstruit des coeurs, il soigne les blessures, il maîtrise la tristesse....Moi et LE TEMPS, nous avons eu trois enfants: L´AMITIÉ, LA SAGESSE et L´AMOUR.
AMITIÉ est la fille plus ainée, une jeune fille trés belle, sincére et contente, elle brille comme le soleil, elle approche les personnes et pretend jamais blesser et toujours consoler.
La deuxiéme est la SAGESSE: intelligente, três savante et trés liée á son pére, le TEMPS. LA SAGESSE et LE TEMPS sont toujours ensemble.
La cadette est L´AMOUR! Ah, comme celle-là me donne du travail!. Elle est obstinée, parfois elle veut habiter dans une place, moi je dis toujours: " L´AMOUR, tu as été fait pour habiter en deux places pas seulement une!
L´AMOUR est compliqué, mais beau, trés beau. Quand il commence  á compliquer, moi, j´appelle son père, LE TEMPS, et LE TEMPS part en ferman toutes les blessures que L´AMOUR  a ouvert...
Une personne trés importante m´a enseignée une chose, tout  finit bien á la fin....si les choses ne vont pas bien, c´est parce que certainement´elles n´ont pas encore arrivée á la fin.
Pour ça, crois toujours á  ma famille: L´AMITIÉ, LA SAGESSE, LE TEMPS, et surtout à L´AMOUR....un jour...moi, LE BONHEUR.....je frapperai à sa porte!
Ait du temps pour les rêves, ils conduisent  sa charriot vers les étoiles!
(L´AUTEUR INCONNU)

15 de julho de 2011

Navegar é preciso....

Os Argonautas - Caetano Veloso
O Barco!
Meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso...(2x)
O Barco!
Noite no teu, tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso (2x)
O Barco!
O automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso...

14 de julho de 2011

PRIMAVERA EM PARIS

Os pássaros ainda cantam no boulevard Pasteur
Em trinados, assobios e gorgeios
Que percebo por detrás das ávores,
Mesmo tremendo o chão por ruídos do metrô

É primavera!
Nas janelas, flores desabrocham de jarros pendentes
E nos jardins, margaridas, açucenas e azaléias
Colorem a paisagem que o Sena reflete.
Calor modesto se inicia,
Sol que começa a aquecer intensamente,
Homens e mulheres desnudos que enchem os Parques
Com a intenção de colorir a pele.

Bicentenário da Revolução
Que decapitou corpos por pensamento novo,
E deu nova direção à história dos países,
Nitrindo em muitos o novo ideário
Da fraternidade, da igualdade e da liberdade. 
           
 Manassés Claudino Fonteles.  Abril de 1989