27 de abril de 2012

FUNCIONÁRIOS DE DEUS - Por Mundim do Vale.

Neste verso eu vou lembrar
De dois conterrâneos meus
Que no título vou chamar
Funcionários de Deus.
Mãe Antônia Cabeleira
A nossa boa parteira
Tinha o trabalho primeiro.
E Alexandre seu filho
Abraçou com muito brilho
O ofício derradeiro.

As gestantes da cidade
Mãe Antonia assistia,
Pois uma maternidade
Na época nõ existia.
Fosse dia ou madrugada
Quando ela fosse chamada
Cumpria bem seu dever.
Com carinho e atenção,
Toda a minha geração
Ela ajudou a nascer.

Alexandre um cidadão
Versátil e trabalhador,
Chegou a ser artesão
Foi também agricultor.
Negociou no mercado,
Pioneiro em sal pilado
E também foi enfermeiro.
Trabalhou como cambista
E pra completar a lista
Terminou como coveiro.

Mãe Antônia só fazia
Os ´partos com segurança
Era muito raro o dia
Pra morrer uma criança.
Era o parto natural
Sem recurso de hospital
Como Deus tinha previsto.
A parteira auxiliava,
A criancinha chorava
Como nasceu Jesus Cristo.

Alexandre no final
Fez a vez de mensageiro,
Cuidava do funeral
E também era coveiro.
Aquele irmão que morria,
Alexandre remetia
Para a casa verdadeira.
Quem sabe um dia a cegonha
Traz de volta mãe Antônia
E Alexandre Cabeleira.

Deus colocou neles dois
O poder da caridade
Pois na terra do arroz
Viveram de irmandade.
Não pouparam sacrifícios
Cumpriram bem seus ofícios
Fizera os trabalhos seus.
Mãe Antônia recebia,
E Alexandre devolvia
Novamente para Deus.

Mundim do Vale.

Dedicado ao poeta João Bitu.

2 comentários:

  1. Esta poesia tem duas coisas notáveis, além de muito bem elaborada pelo poeta que nestas horas muito se esmera e a justa e merecida homenagem àqueles ilustres personagens Varzealegrenses que tantos e tão valiosos serviços prestaram à boa terra.
    Parabéns Raimundinho,receba um forte abraço deste seu amigo,
    João Bitu

    ResponderExcluir
  2. Ah como gosto de ver esses dois poetas aqui no blog confabulando. Voltem sempre. Abraço Fafá

    ResponderExcluir